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Comentário do poema “Ela canta, pobre ceifeira”

De Fernando Pessoa



O poema “Ela canta,pobre ceifeira” de Fernando Pessoa, um famoso poeta do século XX, retrata uma mulher que está a ser observada pelo eu lírico.

Este poema foi composto em 1914 e inserta-se na época do modernismo, um movimento literário e artístico, cujo objetivo era o rompimento o parnasianismo, o simbolismo e, principalmente, a independência cultural do país.

Nesta obra de Fernando Pessoa está focado o desejo do eu lírico em ser incosciente e ao mesmo tempo ter consciência desse facto.

Esta composição poética pode ser dividida em duas partes lógicas, sendo a primeira composta pelas 3 estrofes iniciais e a segunda pelas 3 estrofes restantes. O poeta concentra-se na ceifeira na primeira parte do poema e descreve de uma maneira deveras detalhada o seu canto que o fascina e já mostra como esta personagem é alegre e animada por não ter noções dos seus atos. É na segunda metade que o poeta mostra ter presênça e influência neste poema, exprimindo as suas emoções perante a canção alegre da ceifeira.

O eu lírico inveja a sua inconsciência e fala diretamente para o céu, campo e canção, pedindo-lhes que entrem dentro dele. Embora as emoções do eu lírico sejam expressas apenas numa metade do poema , existe mesmo assim vários apestos que retratem o estado de espírito do poeta. Talvez a palavra que mais se acertasse com os sentimentos deste seria “inveja”.

O eu lírico possuí claramente um desejo forte de ser feliz e jovial como a pobre ceifeira (“Ah, poder ser tu, sendo eu!”v.17), no entanto este compreende que a unica forma de alcançar essa felicidade é sendo inconsciente, o que é impossivel para o poeta, pois ele é incapaz de bloquear os seus pensamentos e sentimentos. Ainda mais complicado é o facto de o poeta não querer apenas possuir essa ignorância, mas também ter consciência de que não tem noção do que se vv. 18, 19).

Outra emoção também destacada neste homem é o desespero de ser diferente, ou seja, como a ceifeira do jeito que podemos ver devido ao número elevado de pontos de exclamações na quinta estrofe do poema “ ., sendo eu! .consciência disso! Ó céu! Ó campo! Ó canção!”. Apesar do eu lírico possuír esta vontade extrema deser inconsciente ele não se quer tornar exatamente como a ceifeira, isto é, ele deseja apenas esse aspeto da vida dela.

O poeta descreve em três estrofes o canto “suave” e alegre da ceifeira, que contêm um significado marcante para o eu lírico e para a compreensão do poema. De uma forma mais fácil, o canto simboliza simplesmente felicidade, alegria e euforia (“Ouvi-la alegra” v.9). A ceifeira canta e é alegre devido à sua falta de consciência, por conseguinte, o seu canto representa também a inconsciência e o desejo do eu lírico em tornar-se como ela.

Relevante são também os dois ultimos versos deste poema que servem de conclusão para esta obra de Fernando Pessoa e contêm um significado interessante (“Minha alma a vossa sombra leve! Depois, levando-me, passai!” vv. 23,34). Já tendo referindo este aspeto nesta análise, quando o poeta menciona a sombra da ceifeira, pretende mostrar que não quer ser exatamente como ela, mas apenas ser capaz de ser inconsciente como essa mulher.

Uma sombra é algo que retrata apenas os contornos de uma pessoa e é então impossivel de identificar alguem pela sombra. Desta maneira a sombra descreve a inconsciência da ceifeira. Quando o eu lírico refere à sombra ser “leve”, pretende este mostrar, mais uma vez, o quanto impossivel é para ele chegar a esse ponto na sua mente onde consegue parar de pensar e sentir.

A palavra “leve” é muito facilmente comparável a um sonho, algo incrível e deslumbrante, mas infelizmente impossivél de se alcançar. Passando agora neste comentário para a estrutura formal do poema, esta obra é constituída por seis estrofes, sendo todas as estrofes quadras, e possuí o seguinte esquema rimático: ABBA/CDCD/EFEF/GHGH/IJIJ/LMLM. Quanto às sílabas métricas, os versos contêm predominantemente 8 sílabas (“Ela canta, pobre ceifeira,” v1), havendo contudo versos com 10 sílabas (“E há curvas no enredo suave” v.7).

A rima é constantemente cruzada e domina também a rima pobre (“razão” v.13 e “coracão” v.15), embora haja rima rica (“ceifeira” v.1 e “cheia” v.3). Quanto à acentuação predomina a rima grave (“entristece” v.9 e “tivesse” v.11), havendo denovo rimas agudas (“eu” v.17 e “céu” v.19). A rima é sempre consoante, com exeção dos versos 1 e 3 da primeira estrofe, em que se confirma rima toante.

Quanto à análise da linguagem, há vários aspetos linguísticos que são deveras relevantes para uma melhor compeênsão do poema. De início destacam-se o número de antítese que Fernando Pessoa decide colocar no poema (“pobre” e “feliz” vv.1,2 , “alegre” e “anónima” v.4 , “alegra” e “entristece” v. 9). Este recurso estilístico serve para exprimir a contradição entre a alegria da ceifeira e o seu trabalho duro, e as consequentes sensações opostas que ela colocava no poeta.

De seguinte encontra-se uma interjeição de ambição na quinta estrofe (“Ah,” v.17), que realça a inveja que o eu lírico tem da ceifeira e da sua inconsciência. A comparação “E canta como se tivesse Mais razões pra cantar que a vida.” nos versos 11 e 12, salienta denova essa inconsciência da ceifeira e a sua habilidade em esquecer os problemas da sua mente e ser apenas feliz e cantar alegremente.

Finalmente deverá ser identificado o número elevado de pontos de exclamações na quinta estrofe (“Ó céu! Ó campo! Ó canção!” vv.19,20). Este aspeto acentua o desespero do eu lírico em mudar, em ser conseguir bloquear os seus pensamentos e chegar à fase da inconsciência.

Para concluir então este comentário do poema “Ela canta, pobre ceifeira”, digamos que Fernando Pessoa era um homem complicado, que pensava muito.

Talvez o aspeto mais relevante de Pessoa era mesmo a dor de pensar. O poeta escreveu muitos poemas à volta desse tema tal como “Isto”, em que ele põe em causa as duas forças centrais de uma pessoa, a razão e os sentimentos, tendo de encontrar um equilíbrio entre as duas. Chega a uma fase tão grave que Fernando Pessoa deseja apenas, como é claramente visível neste poema, parar de pensar, de sentir e ser simplesmente “inconsciente”.

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